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20 de maio de 2014

Sombra & Vento

" Se tivesse parado a pensar, teria compreendido que a minha devoção por Clara não era mais que uma fonte de sofrimento. Talvez fosse por isso que a adorava mais, por essa estupidez eterna de perseguir aqueles que nos fazem sofrer. "

in "A Sombra do Vento" por Carlos Ruiz Zafón



6 de agosto de 2012

Acordar.


"Acordei e estava sozinha. Se, dormindo, sonhamos dormir, podemos, despertos, acordar dentro de uma realidade mais lúcida?"


Teoria Geral do Esquecimento | José Eduardo Agualusa 

22 de abril de 2012

Words in a Book

"O título: They Have a Name for It. Trata-se de um curioso dicionário de palavras que só existem numa determinada língua.

[...]

Eis alguns exemplos de vozes singulares:
Won: do coreano, resistência a desprendermo-nos de uma ilusão."

Francesc Miralles in Amor em Minúsculas



17 de abril de 2012

Ali.



"A companhia de verdade, achava ele, era aquela que não tinha por que ir embora e, se fosse, ir embora significaria ficar ali, junto."


Valter Hugo Mãe in Filho de Mil Homens

18 de julho de 2011

Saudade Benigna





"[...] procurou um silêncio limpo como uma folha muito limpa onde pudesse escrever uma frase mais digna e disse, um dia essa saudade vai ser benigna. a lembrança da sua esposa vai trazer-lhe um sorriso aos lábios porque é isso que a saudade faz, constrói uma memória que nós nos orgulhamos de guardar, como um troféu de vida. um dia, senhor silva, a sua esposa vai ser uma memória que já não dói e que lhe traz apenas felicidade. a felicidade de ter partilhado consigo um amor incrível que não pode mais fazê-lo sofrer, apenas levá-lo à glória de o ter vivido, de o ter merecido. [...]


in "a máquina de fazer espanhóis" by Valter Hugo Mãe


29 de maio de 2011

Opostos






" [...] Diogo gostava de caminhar em silêncio, atento à paisagem, aos sons, às plantas e aos bichos, absorto na sua observação e nos seus pensamentos. Pedro caminhava numa permamente inquietação: ora tentava surpreender os pássaros com a sua fisga, ora corria atrás das vacas para as espantar, ora se atardava a contar as ovelhas para confirmar que o rebanho estava completo, ora batia com um pau nos sobreiros para ver se não estavam secos por dentro, não se esquecendo nunca de verificar o algarismo escrito a cal na casca das árvores, indicando o ano da próxima tirada de cortiça, de tal modo que, quando voltava a passar pelo mesmo local, ele já conhecia as árvores não pelo seu aspecto ou porte, mas pelo algarismo escrito na sua casca.

Mas, mesmo diferentes como eram, Diogo amava profundamente o irmão, como a mais ninguém.[...] "



in Rio das Flores by Miguel Sousa Tavares